Quando você pensa que já foi mais apaixonada, não só pelas pessoas, mas pela vida como um todo, até mesmo em época de depressão, aquele pós-guerra. Ainda tinha arte, música, cores, vida! Mas depois que eles começam a enfiar remédios na sua goela abaixo...Tudo fica cinza. Imagine três anos disso. Não fui capaz de ser eu mesma por três anos, ainda estou incapaz, para falar a verdade. Leva tempo...Leva tempo para seu sistema voltar a ser o que era, e eu me pergunto se volta de fato. Você não perde toda aquela paixão que tinha, porque envelhece o corpo, mas porque envelhece a alma, os remédios só são catalizadores disso, te deixam cego, surdo e mudo, enxergando em cinza, um mundo cheio de possibilidades e cor.
Depressão, eles dizem...Físico. Bom, se meu cérebro não funciona direito let him be. Não ligo mais. Se meu útero não funciona direito, foda-se. Não quero mais me preocupar com horários de remédios, não quero, não quero mais essas coisas no meu sistema, isso acaba comigo, eu não sou mais eu, eu sou eu dopada, diferente, entorpecida de algo que não era para estar aqui, ou estar aqui mas não nessa quantidade, essa falta de estabilidade ou excesso dela, não sei o que me fere mais. Já chega, cansei...E desisto. Agora formalmente. Esse negócio de médico não é para mim.
É terrível sentir letargia em um momento de alegria, é terrível. Me quero de volta. A força que eu tinha para lutar, com as próprias mãos, sem medo de derramar sangue. A facilidade de manipulação, Ah, I miss the old days...Ao mesmo tempo que me arrependo de coisas que fiz, provável que faria tudo novamente, mas ainda assim. O que aconteceu? Eu me pergunto...Aonde que eu decidi mudar, por que eu decidi mudar? Por quem? Ainda não tenho essa resposta mas estou a caminho de voltar a velha forma. Ainda não sei se para bem ou mal. Mas é aquilo, em algum momento uma pessoa tem de pôr para fora aquilo que é, deixar cair as máscaras sejam elas a quantidade que for. Mostrar a face nua a um mundo onde as mascaras prevalecem. Chega de sombras e cinza, quero cores, quero explosões, quero o mundo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário